quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DISCRIMINAÇÃO RACIAL NOS PROCESSOS DE SELEÇÃO

O presente trabalho foi elaborado a partir da disciplina Seminário Temático de Integração III.
A proposta foi apresentar a existência do racismo nos processos de recrutamento e seleção, sendo assim, foi realizado um levantamento teórico e exposto a vivência dos alunos na área de Recursos Humanos, em específico em consultorias de RH. Inicialmente, iremos apresentar definições para que melhor possamos caminhar no tema abordado.
Preconceito segundo definição do dicionário Aurélio é “Manifestação hostil ou desprezo contra indivíduos ou povos de outras raças”. (FERREIRA, 1999, p. 567).
Já Racismo segundo o dicionário Aurélio é definido como “Teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas sobre as demais. Caracteres físicos, morais e intelectuais que distinguem determinada raça. Ação ou qualidade de indivíduo racista.  Apego à raça“. (FERREIRA, 1999, p. 602).
Segundo Santos et al (2009): As etapas do processo de recrutamento e seleção têm como objetivo identificar nos candidatos as competências necessárias para assumir o cargo em aberto e diminuir ao máximo os riscos da contratação, ou seja, os riscos do candidato não se ajustar ao cargo e à cultura da empresa. (SANTOS, 2009, p.40)
Para Gil (2001), recrutamento pode ser entendido como um processo que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização. O processo de seleção consiste em comparar esses candidatos, identificando suas características pessoais e habilidades e até mesmo seu comportamento futuro no cargo, através de diversos procedimentos ou métodos de seleção.
Segundo Assunção (2001), o Brasil é considerado o segundo maior país em quantidade de negros de todo o mundo, isto é, o maior país em quantidade de negros fora da África, no qual a Nigéria ocupa o primeiro lugar. (ASSUNÇÃO, 2001. Pag.2).
Rosenfeld citado por Assunção afirma que: "ideologicamente, o preconceito contra os negros no Brasil é quase sempre totalmente negado, e o brasileiro se gaba com orgulho de sua falta de preconceito". (ROSENFELD apud  ASSUNÇÃO, 2001. p 2).
O racismo é considerado crime no Brasil de acordo com a Lei Federal de nº 7716/89 do Congresso Nacional (1989), mesmo assim o racismo ainda existe e pode ser encontrado nos processos de recrutamento e seleção.
De acordo com Assunção (2001) algumas instituições até empregam certos afrodescendentes, desde que eles permitam se despir de sua identificação com grupos negros.
 Assunção (2001) Como herança da nossa escravidão a maioria dos negros no Brasil, desempenham atividades de menor prestígio social, como, serviços domésticos, pedreiros, lixeiros, telemarketing entre outros. Os trabalhos de atendimento ao cliente, como vendas ou cargos no banco, são direcionados para pessoas “brancas”. De acordo com Assunção, as instituições que abrem “exceção” para contratação de negros, exigem que os mesmos mudem as suas características físicas, como alisar o cabelo.
 Mesmo que velado o preconceito no Brasil existe e isso reflete nos processos seletivos.
“Muitas vezes as empresas não aceitam negros porque o cliente não gosta de ser atendimento por um negro. Em lojas de roupas de grife é muito difícil ver um vendedor negro, se tiver algum funcionário negro geralmente é a faxineira. Essas exigências são passadas para o psicólogo que faz o recrutamento e seleção e isso causa desconforto no mesmo”. (X – Graduando em psicologia pela PUC Minas)

O que por determinação da Lei nº 9.029 de 13 de Abril de 1995, Artigo 1:
Fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a relação de emprego, ou sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipóteses de proteção ao menor previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. (BRASIL, 1995).

            No que diz respeito ao processo de seleção, x retrata o desafio ético vivenciado:
“O psicólogo se vê em um empecilho ético. Não pode contratar a candidata, pois ela é negra, e também não pode dizer que sua eliminação no processo, se dá devido sua etnia. Quando o psicólogo já recebe o “perfil” da vaga pronto, ele não tem muito que fazer, na maioria das vezes não há flexibilidade nesse perfil e por mais que o psicólogo tente não há conversa. O psicólogo pode ignorar e mandar candidatos “fora” do perfil que a empresa deseja, porém o gerente não irá fechar a vaga e isso pode trazer problemas para o psicólogo. Entra outro empecilho fazer o processo de acordo com a ética ou de acordo com as normas da empresa? Quando o psicólogo decide não acatar as normas de recrutamento e seleção da empresa ele pode acabar desempregado.” (X – Graduando em psicologia pela PUC Minas).
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[1] Para preservar o relato e as instituições que exercem suas atividades, os nomes verdadeiros foram substituídos por X no trabalho.
Segundo Renato Ladeia Oliveira citado por Sales (2012) através de histórias de vida de profissionais de recursos humanos que atuavam com recrutamento e seleção. Diz o autor:
“O processo de seleção dos empregados tem uma importância primordial na investigação do racismo nas organizações, pois é o primeiro contato com a empresa, podendo resultar numa experiência positiva ou negativa, na contratação ou não” (OLIVEIRA apud SALES, 2012, p. 8).

Podemos concluir que a psicologia pode contribuir com um trabalho focado não somente no recrutamento e seleção, mas apresentar uma postura mais rígida quanto a estes acontecimentos. Entendemos que não se trata de um trabalho de inclusão, mas de um combate a um crime previsto por lei.
Devemos entender que é um desafio à forma de operacionalizar a seleção. E que a raça não interfere no funcionamento laboral e que a discriminação leva a exclusão do mérito e gera injustiça contra os mais capazes.

 REFERÊNCIAS

ASSUNÇÃO. J.P Amaral. Mercado de Trabalho Branco! Racismo? Na Virada do Século XX!? Disponível em: <> www.naea.ufpa.br/pdf_tcc.php?id=72 <> Acesso em 27/08/2014.

BRASIL. Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995. Presidência da República; Casa Civil; Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9029.htm> Acesso em 19/08/2014.

BRASIL. Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Presidência da República; Casa Civil; Subchefia de Assuntos Jurídicos. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm> Acesso em 19/08/2014.

FERREIRA, A. B. H. Aurélio século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

GIL, Antônio Carlos. gestão de pessoas: enfoque nos papeis profissionais. São paulo: Atlas, 2001.


SANTOS, Eunice Sabino et al. O papel do psicólogo na captação e no desenvolvimento das pessoas no setor de vendas. 2009. f. 54. Monografia (Graduação em Psicologia) – Curso de graduação em Psicologia. UNIVALE. Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares.

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